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Lição 06

 

ORAÇÃO

“... quando orares, entra no teu aposento, e,

fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto;

e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará. Mateus 6:6.

 

Orar é um mandamento de Deus. A Bíblia diz:

“Orai sem cessar”. I Tessalonicenses 5:17;

“Vigiai e orai”. Mateus 26:41;

“Perseverai na oração”. Romanos 12:12b;

“... orem em todo o lugar”. I Timóteo 2:8;

“Orai uns pelos outros”. Tiago 5:16b;

“Está alguém entre vós, aflito? Ore”. Tiago 5:13;

 

São ordenanças imperativas encontrados em toda a Bíblia.

Pela oração, o crente:

·      Eleva-se ao plano espiritual;

·      Fala com Deus e pode ouvir a Sua voz;

·      Apresenta suas petições;

·      Pode receber a Sua direção;

·      Intercede por si mesmo e por outras pessoas;

·      Louva e adora ao Deus único, criador dos céus e da terra.

 

Nenhum cristão pode viver sem orar.

Dedicar-se à oração é um ato de obediência, que permite um maior conhecimento de Deus e cultiva o relacionamento Pai e filho pela intimidade e comunhão que se consegue.

 

Jesus ensinou seus discípulos a orar sendo, Ele mesmo, o modelo. A Bíblia registra Jesus em oração: na escolha dos discípulos, na multiplicação dos pães, na ressurreição de Lázaro, no Getsemani, e em muitas outras ocasiões.

 

O Evangelho de João utiliza três capítulos para registrar as últimas instruções de Jesus aos discípulos, culminando com a Oração Sacerdotal, no capítulo 17, onde Jesus ora pela unidade e santidade da Igreja.

Jesus também ora, para que sejamos livres do mal e, ora por nós, os que cremos e pelos que ainda hão de crer até ao final dos tempos. Esta oração antecipada, de Jesus, protege os novos convertidos.

Jesus orava sempre, em qualquer lugar, tempo e ocasião:

 

“... retirava-se para o deserto e ali orava...”. Lucas 5:16.

 

“E Jesus subiu ao monte a orar e passou

a noite em oração a Deus”. Lucas 6:12.

 

“Jesus despediu a multidão e subiu

ao monte a orar à parte”. Mateus 14:23.

 

Na oração, a fé é manifestada, porque quando alguém se dispõe a orar, é porque sabe que fala com Deus e crê que Ele está ouvindo.

 

É com ousadia que o filho deveria entrar na presença do Pai, por meio de Jesus Cristo. O cristão deveria estar sempre convicto de que Deus espera sua oração.

Ainda que, tantas vezes, lhe pareça que Deus esteja distante, porque não pode sentir a Sua Presença, deve estar seguro, não em seus sentimentos nem no que imagina a respeito de Deus, mas na Palavra que diz:

 

“A oração do justo pode muito em seus efeitos”. Tiago 5:16.

 

“... ainda que digas que não O vês,

contudo, espera n'Ele”. Jó 35:14.

 

“Bom é ter esperança, e aguardar, em silêncio,

a salvação do Senhor!”. Lamentações 3:27.

 

“No estarem quietos, estará a sua força”. Isaías 30:7b.

 

“... para Deus, nada é impossível”. Lucas 1:37.

 

“Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus”. Salmos 46:10.

 

O principal objetivo da oração é o de alcançar comunhão com Deus, no entanto, muitas pessoas oram somente com a intenção de notificar a Deus a respeito de suas necessidades ou de pedir solução para os seus problemas. É lógico que a petição é parte integrante da oração, porém, precisamos ter sempre em mente, que Deus conhece, antecipadamente, tudo:

 

“Ainda a palavra não me chegou à língua,

e tu Senhor, já a conheces!”. Salmos 139:4.

 

“Aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais

do que tudo quanto pedimos ou pensamos...”.  Efésios 3:20.

 

“E será que antes que clamem, Eu responderei,

estando eles ainda falando, eu os ouvirei”. Isaías 65:24.

 

Existe uma grande diferença entre a necessidade real e uma que é aparente ou imaginária.

 

Deus sabe qual é a prioridade para nossa vida. Por isso, tantas vezes, ficamos impacientes achando que Deus não nos ouve ou não quer atender-nos.

 

O cristão deveria estar atento para não alimentar problemas fictícios não perdendo seu tempo, dedicado à oração, com petições de proveito pessoal, sem objetivos espirituais.

 

A maior necessidade do homem é, primeiramente, espiritual. Jesus, em seus milagres, supria antes, a alma perdoando os pecados e, só depois, promovia a cura física.

 

Orar é um trabalho árduo. Alguns podem considerar a oração ou a leitura da Bíblia, como uma atividade cansativa, rotineira e sem objetivo. Esse sentimento, a respeito da oração, pode ser considerado como a primeira luta a ser enfrentada. Acontece, geralmente, no início da caminhada cristã, na nossa infância espiritual, no nosso primeiro amor, quando pensamos que Deus vai nos atender imediatamente, porque, afinal, somos mais um filho que Ele ganhou!

 

Esse pensamento é de quem ainda não alcançou a compreensão sobre a soberania de Deus.

 

Na medida em que se exercita na oração, a pessoa verá os resultados do seu trabalho, e então, passará a se dedicar com mais alegria e com um espírito voluntário a essa tarefa. A oração não mais será considerada como uma obrigação cumprida em obediência ao mandamento de Deus, mas será um trabalho realizado com satisfação e sede da presença de Deus.

 

Pela oração, somos levados a dimensões celestiais, e ali, podemos conhecer melhor a Deus e seus propósitos para nós.

No Sermão do Monte, Jesus, antes de responder ao pedido dos discípulos e ensiná-los a orar, instruiu-os como não se deve orar.

 

Jesus utiliza o exemplo negativo da oração centralizada no homem, o modelo dos fariseus, para mostrar que ninguém deve utilizar daquele “fermento”, a hipocrisia. Deus conhece o interior, e requer sinceridade, de cada um que se dirige a Ele.

·      Oração insincera - hipocrisia na oração, é falar do que não se está sentindo, é preocupar-se mais com as suas próprias palavras do que, com Deus, que as está ouvindo. Orando diante de pessoas, a hipocrisia transforma a prece num discurso para agradar os ouvintes, ou num testemunho onde a pessoa apresenta seus feitos espirituais e suas obras.

·      Oração lamentosa - outro tipo de oração que deve ser corrigida, é aquela em que a pessoa se coloca em posição de vítima, lamentando-se porque, sem entender a fidelidade de Deus, julga-se injustiçada, por sofrer ofensas, dificuldades, perdas e tribulações.

·      Oração mecânica - Jesus recomenda para não se usar repetições contínuas, porque tornam a oração mecanizada, pelo uso constante das mesmas palavras. São preces que não procedem do coração e sim da memória, repetições do que foi aprendido e decorado. Jesus disse que são “vãs repetições”, porque orar deste modo, se torna em hábito tedioso e ineficaz por não haver resultados.

·      Formar o hábito de orar em horários fixos pode ser proveitoso para a maioria das pessoas, porém deve-se vigiar para que, o cumprimento do horário, não venha a se tornar mais importante do que a própria oração. O que é feito por obrigação, sem outro estímulo, pode retirar toda a espontaneidade dos momentos a sós com Deus. A oração é uma conversa natural e livre, como deveria ser o relacionamento de um filho para com seu pai.

 

O profeta Daniel se recolhia, aos seus aposentos, para orar, 3 vezes ao dia. Daniel 6:10.

 

Os salmistas declaram:

 

“Sete vezes no dia Te louvo pelas Tuas justas leis”. Salmos 119:164;

 

“A minha boca relatará as bênçãos da Tua justiça e da

Tua salvação, o dia todo”. Salmos 35:28 e 71:24;

 

“Louvarei ao Senhor em todo o tempo,

o seu louvor estará continuamente na

minha boca”. Salmos 34:1.

 

No tempo considerado bom ou no tempo considerado mau, sempre e constantemente, é tempo de louvar, de adorar e de clamar ao Senhor!

 

Quando a mulher samaritana perguntou a Jesus sobre o lugar apropriado para se adorar a Deus, Ele respondeu-lhe:

 

“Deus é Espírito e importa que os que o adoram, o

adorem em espírito e em verdade”. João 4:24.

 

Esta resposta esclarece-nos sobre a maneira como as pessoas devem buscar a Deus. Fala da verdade, da sinceridade, da voluntariedade e dos desejos do coração do homem e especifica que, a comunhão com Deus só se alcança através do espírito do homem ligado ao Espírito de Deus.

 

O nível espiritual, mais elevado do que o nível mental, só pode ser alcançado pelo caminho oferecido por Deus, ao homem: a fé no Seu Filho Jesus, a regeneração, o novo nascimento, o Espírito de Deus habitando no espírito do homem.

 

A comunicação com Deus, o louvor a adoração, são atribuições do espírito; não são atos praticados com esforço da mente ou através dos exercícios de mentalização. Jesus disse “em espírito” e não mentalmente.

 

Existem muitos deuses sendo adorados; imagem e semelhança de homens, de animais, de plantas e até de objetos feitos por mãos de artistas! Entretanto, o mandamento em relação ao modo de se adorar ao Deus, que fez os céus, a terra e tudo o que neles há, é através do espírito:

 

“A hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores

adorarão o Pai em espírito e em verdade;

porque o Pai procura a tais que assim

o adorem”. João 4:23.

 

Pelas palavras de Jesus à samaritana, compreende-se, que a oração não depende de lugar. O que Deus requer é:

 

“... um coração puro, quebrantado e contrito...

um espírito reto e voluntário. Salmos 51:10 e 12.

 

Deus não habita nos lugares edificados por mãos de homens.

Nosso corpo é o templo que Ele mesmo construiu, para ser a sua morada.

Deus habita dentro daqueles que crêem Nele.

 

Se já tomamos a posse dessas verdades, em nossa vida, então é certo que temos o Espírito Santo habitando em nosso interior.

 

Qual seria o lugar dessa moradia? Em que canto do nosso corpo Deus escolheu para ficar? No quarto e sala ou, existem lugares menos nobres, inabitáveis, em nosso corpo? Há pensamentos, desejos inconfessáveis, atitudes que, precisam ficar escondidos de Deus, debaixo do tapete, na área de serviço ou no banheiro?

 

O quarto: Vejamos, agora, o lugar designado, por Jesus, como o quarto:

 

“E tu, quando orares, entra no teu quarto,

fecha a tua porta, e ora a Teu Pai...”. Mateus 6:6.

 

Jesus está mostrando um tipo de oração estrutural, a oração secreta, individual, a oração ouvida somente por Deus, ninguém mais a escuta. Somente você e Deus.

 

Esta é uma oportunidade única na vida de um crente.

O momento de dedicação à oração individual, é uma oportunidade que temos de sermos honestos e sermos o que somos sem disfarces, sem máscaras. Diante de Deus, podemos nos apresentar sem medo, com a nossa verdadeira identidade.

 

Este é o melhor momento e o melhor lugar para o exercício da humildade, da sinceridade e da purificação da fé.

A perseverança e a dedicação a esse tipo de oração, secreta e distante das pessoas, formarão a estrutura de uma fé genuína e vigorosa.

Estar a sós com Deus são momentos nos quais podemos sentir a alegria da Sua presença, o consolo do Espírito Santo, as revelações sobre a aplicação da Palavra em nossa vida e, ainda, provar a fidelidade e a bondade de Deus no cumprimento de suas promessas.

 

O quarto, neste texto, muito mais do que um compartimento da casa é o lugar recôndito da comunhão com Deus. Podemos entender que até no meio da multidão, o crente pode estar “no seu quarto” e ter comunhão com o Pai.

 

Orar é desligar-se da terra e ligar-se ao céu, sempre que se fizer necessário, em qualquer momento, em qualquer lugar.

 

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