Lição 02
DONS ESPIRITUAIS
Exemplos Bíblicos sobre o mau uso dos dons:
·
Em
proveito próprio:
Tentando agradar a Balaque, rei de Moabe,
Balaão, profeta gentio, recusa-se a cumprir o mandado de Deus e escolhe seguir
as intenções do seu coração:
·
Consulta o Senhor, quando já sabia a Sua
vontade;
·
Mesmo com a negativa de Deus, prefere
agradar ao Rei, numa tentativa de mudar o coração de Deus;
·
Impedido de amaldiçoar o povo hebreu, Balaão aconselha Balaque, a seduzir o
povo com mulheres moabitas e com seus deuses estranhos, conduzindo-os a
desobedecerem ao mandamento de Deus;
·
Balaão é tipo dos profetas que, até hoje,
se vendem por presentes. Ler
Números 23:1, 12, 13, 14 e 31:16.
·
Compra
e venda de dons: Simão tenta comprar, de Pedro e João, o dom de imposição de
mãos. Atos 8:17-24.
·
Idolatria:
Transformar a pessoa com dons de revelação, visão, profecia e outros, num
“oráculo”, isto é, alguém com resposta para todas as questões.
É natural que as pessoas portadoras de
dons, se evidenciem na Congregação e, por esse motivo, muitos começam a
tratá-los como pessoas especiais ou mais espirituais.
Idolatria é a exaltação do dom com
desprezo do Doador, e a substituição da Palavra de Deus pela palavra do homem.
Uma pessoa pode criar profecias, ou revelações da sua mente
para não decepcionar as pessoas, nem se sentir rejeitada pelos que aguardam uma
palavra.
O certo seria falar apenas o que viu e ouviu. Falar ou
fazer o que Deus não mandou é usurpar o lugar de Deus, é exercer indevidamente
uma função que não lhe pertence.
Corrigindo os abusos:
Esses casos
precisam ser corrigidos pela liderança da Igreja, através da direção do
Espírito e dos modelos bíblicos:
·
Quando
algum milagre acontecia por intermédio dos apóstolos, o povo queria adorá-los
como deuses. A atitude deles era de repulsa e de apresentação da origem do
poder.
“E dizendo isto, com
dificuldade impediram que as
multidões lhes sacrificassem”.
Atos 14:18.
Ler Atos 3:12; Atos 14:8-18.
• A
Igreja precisa interferir quando o profeta fala sem a inspiração de Deus.
Aceitando a correção e a disciplina, o dom é aperfeiçoado, até que o profeta
tenha condição de julgar a si mesmo, sabendo se a revelação é de Deus ou da sua
própria mente.
·
Encontramos
na Bíblia um profeta, Ageu, que profetizou durante quatro meses, ficando registradas, nas Escrituras, apenas três
de suas profecias recebidas em três tempos diferentes no segundo ano do rei
Dario.
Suas profecias têm o mesmo valor das proferidas por outros
profetas. O profeta é útil para o Reino quando transmite a palavra de Deus,
sejam poucas ou muitas.
“No primeiro dia do sexto
mês”. Ageu 1:1.
“No dia vinte e um do sétimo
mês”. Ageu 2:1.
“No dia vinte e quatro do
mês nono”. Ageu 2:10.
É preciso apurar o discernimento para
conhecer e aceitar o que vem de Deus e rejeitar o que é da mente ou de
demônios.
“Tudo tem o seu tempo
determinado... Há tempo de estar
calado, e tempo de
falar...”. Eclesiastes 3:1a e7b.
“... muitos de vós não sejam
mestres, sabendo
que receberemos mais duro juízo”. Tiago 3:1.
Julgamento dos dons:
É preciso colocar os dons à prova. O que a pessoa diz que recebe
de Deus, precisa ser comprovado pela Igreja.
Toda pessoa que recebe um dom, deveria submeter-se ao julgamento
da Igreja, para que todos sejam abençoados.
Os dons são do Espírito Santo. Pertencem a Deus. Não são
propriedade particular. Não são para uso próprio nem para beneficiar alguém,
nem para divertimento, mas unicamente para a Glória, a Honra, o Louvor e o
Poder de Deus.
• Quando Jesus esteve diante
de Herodes para ser julgado, calou-se diante do interrogatório, porque bem
conhecia as intenções daquelas autoridades:
“E Herodes, quando viu a
Jesus, alegrou-se muito; porque havia
muito que desejava vê-lo,
por ter ouvido dele muitas coisas, e
esperava que lhe veria fazer
algum sinal; e interrogava-o
com muitas palavras, mas ele
nada lhe respondia”.
Lucas 23:8-9. Ler
Mateus 27:11-14.
O dom não deve ser usado independente da Igreja, pois está
inter-relacionado com os demais dons, ministérios e serviços.
A Igreja não pode permitir que uma pessoa use os dons com
irresponsabilidade, pois está capacitada a discernir, pela Palavra, se a pessoa
está usando sua própria mente ou sendo instrumento de Satanás.
O limite entre a “alma e o espírito” só pode ser conhecido pela
Palavra de Deus. Hebreus
4:12.
Sem o devido julgamento, a utilização dos dons, é perigosa e
produz mal ao invés de bem.
A Origem dos Dons:
Só existem
três fontes de origem dos dons:
• O Espírito:
verdadeiros, de acordo com a Palavra;
• A mente: dons
naturais usados como se fossem espirituais; fabricação de dons por ilusão
mental, a pessoa acredita que suas visões ou revelações são do Espírito.
Se o crente usar sua própria mente para “fabricar” seus
dons, o Espírito se afasta, e a pessoa fica a mercê de Satanás;
• O diabo:
falsificação, imitação e manifestação dos dons, tanto para mal, quanto para
bem, sempre na tentativa de apresentar-se como Deus.
“... e os seus profetas predizem mentira
dizendo:
Assim diz o
Senhor Jeová;
sem que o
Senhor
tivesse falado”. Ezequiel 22:28b.
Ler Jeremias 23:28-32; Ezequiel 13:3 e 6.
O uso abusivo e indisciplinado dos dons, por muitos que se
auto-nomeiam profetas, é que causam temor e incredulidade na maioria das Igrejas.
Sem condição de corrigir os exageros, e com zelo excessivo, proíbem o uso dos
dons e ficam privadas das bênçãos que Deus tem para derramar.
A usurpação dos dons espirituais ou a
utilização dos dons naturais e da mente sem a participação do Espírito, será
julgada por Deus e não mais pela Igreja, conforme a descrição que Jesus mesmo
faz:
“Por seus frutos os
conhecereis”. Mateus 7:16a.
“Toda a árvore que não dá
bom fruto corta-se e lança-se no fogo”. Mateus 7:19.
“Nem todo o que me diz:
Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus...”. Mateus 7:21a.
Este é um duro julgamento! A pessoa que não aceita a disciplina na
terra, preferindo fazer a sua própria vontade, terá sua recompensa segundo suas
obras.
“A obra de cada um se
manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será
descoberta, e o fogo provará
qual seja a obra de cada um”. I Coríntios 3:13.
Uma Igreja madura terá discernimento para doutrinar biblicamente
seus membros e receberá todas as bênçãos decorrentes da utilização correta dos
dons.
A compreensão da finalidade e do real
valor dos dons; a posição correta de cada ministério; a perfeita identificação
entre os dons e os frutos e o discernimento para julgar com equilíbrio,
fortalecerá a Igreja que cumprirá sua verdadeira missão de Comunidade
Terapêutica, assim como é o funcionamento dos membros e órgãos internos do
corpo humano ou as engrenagens de uma máquina.
“Para que sejais
irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis
no meio de uma geração
corrompida e perversa, entre a qual
resplandeceis como astros no mundo; retendo a
palavra da vida...”. Filipenses 2:15-16a.
Tal Igreja é Vencedora.
E então, o mundo conhecerá
que verdadeiramente,
Jesus é Deus.
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