Lição 06
O OFÍCIO DAS CHAVES
O assunto da entrega das chaves à Igreja,
através de Pedro, é relativo ao Poder de Deus que capacita a Igreja a exercer
seu Ministério terreno.
O
papel da Igreja é tomar posse dessa realidade espiritual e cada geração cumprir a sua parte na expansão do Reino de Deus, passando o
cajado aos descendentes. Deuteronômio 6:6-7;
Salmos 90:1; 72:5 e 145:4.
“Uma geração
louvará as tuas obras à outra
geração e anunciará
as tuas proezas”.
·
Qual a diferença entre o poder espiritual e poder
secular?
O
espiritual refere-se ao Céu; o secular à terra, porém,
tanto um como outro são delegados por Deus. Romanos
13:1-7; João 19:11 e Daniel 2:20-21.
A
Igreja (espiritual) é separada do Estado (secular). Mateus 22:21.
Se
a Igreja confundir sua missão espiritual com atividades seculares, ficará
descaracterizada como organismo vivo.
Existem
religiões ligadas ao Estado, onde o governante do país é também um chefe
religioso. Exemplo: Irã.
·
A chave do poder político, social ou econômico não foi
concedida à Igreja. O verdadeiro cristão, certamente, exercerá influência no
seu limite de ação. Porém, aquele que se denomina cristão, e coloca sua
atividade secular como prioritária, será engolido pelo sistema mundo. Ex.:
Cristão político ou político cristão? Cristão empresário ou empresário Cristão?
A
Igreja jamais será partido político, mas à medida que seus membros fiéis
exerçam suas atividades seculares, o Reino de Deus estará onde cada um estiver.
A Igreja transformará o mundo à medida que for “Sal e
Luz”, “salgando e iluminando” os lugares onde estiver plantada. Mateus 5:13-16.
·
Jesus entregou à Igreja a chave de acesso ao Reino
Espiritual para abençoar o mundo e atrair filhos para Deus.
“O meu Reino não é deste mundo”. João 18:36.
Através
desse poder, a Igreja transmite, aos homens, as bênçãos da redenção.
Na
cruz, Jesus obteve o perdão para todos, concedendo à Igreja a autoridade para
administrar esse meio de salvação. João 20:21-23 e Mateus 16:18-19.
·
Esse poder espiritual atinge a alma humana, porque
pertence ao Reino Espiritual; A Igreja possui as “chaves do Reino”. É grande a
responsabilidade dos teólogos e líderes pela facilidade e liberdade com que
podem ser manuseados e distorcidos os princípios espirituais. A liderança
centralizada fica vulnerável a esses erros por fomentar a idéia de
infalibilidade do líder e dependência doentia por parte dos liderados. A fidelidade no exercício dos ministérios é
condição fundamental para o cumprimento do ofício das chaves. Tiago 3:1 e Hebreus 13:17.
“Apascentai o
rebanho de Deus, tendo cuidado dele,
não por força,
nem por ganância...
nem como tendo
domínio sobre a herança de Deus”. I Pedro 5:2-3.
·
Sendo poder
espiritual, os meios utilizados no seu exercício, são, também, espirituais.
“Armas não carnais”.
II Coríntios 10:4e5.
Efésios 6:10-18 identifica a armadura a ser usada na batalha
espiritual “porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas contra as
hostes espirituais da maldade”. Algumas armas: verdade, justiça, paz, fé,
salvação, Palavra de Deus, oração.
·
O alvo a ser alcançado pela Igreja, através da posse
do poder de Deus é, unicamente espiritual.
A
Salvação de Almas:
“Alcançando o
fim da vossa fé,
a salvação das almas”. I Pedro 1:9.
A
Igreja declara a salvação, pela pregação da Palavra e recebendo os crentes,
batizando-os.
Santificação:
Através do aconselhamento ou discipulado, comunhão, exortação, a Igreja conduz
os seus membros a uma vida de intimidade com Deus.
“Segui a paz
com todos e a santificação sem
a qual ninguém
verá o Senhor”. Hebreus 12:14 e Romanos 6:22.
Perdão:
A Igreja tem o poder de perdoar e de reter o perdão de pecados.
“Aqueles a
quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados
e àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos”. João
20:23.
Quantas vezes Jesus declarava: “perdoados são os teus pecados”.
O
perdão é para todos os homens, pois Cristo “reconciliou o mundo” com o Pai e
“morreu por todos”. II Coríntios 5:18-19; Romanos 5:18;
4:5 e Isaías 53:6.
Observações:
A
Igreja só declara o perdão quando Deus já perdoou.
Erro:
Uma pessoa sozinha, sem ligação com a Igreja e em discordância com a liderança,
não tem autoridade para fazer a declaração de perdão em nome da Igreja, pois
sua capacidade de julgar pode ser prejudicada por preconceitos, circunstâncias,
preferência etc...
É
quase certo que nenhuma Igreja leve um caso de disciplina até à conclusão
final, mas, possui autoridade para fazê-lo. I
Coríntios 5:5-13.
Erro:
O caso da excomunhão pública de Lutero. A Igreja exerceu disciplina não
testificada por Deus, porque à Igreja compete confirmar na terra o que já foi
decidido no céu. Se a Igreja usurpar a autoridade, o céu não ratifica.
Em
1983, após 5 séculos da Reforma, a mesma Igreja que assinou a excomunhão, revê
e resgata Lutero, como aquele que não pretendia a divisão da Igreja, mas uma
reforma fiel ao Evangelho e a uma comunhão entre os cristãos. “O Globo”
9/10/83.
Só
se beneficia do perdão aquele que o aceita.
O
homem pode se excluir (livre arbítrio) da anistia geral proclamada na Cruz,
anulando, para si próprio, o sacrifício de Cristo.
“Se a justiça provém da lei, segue-se que
Cristo morreu
debalde”. Gálatas 2:21.
“Se é por graça, já não é pelas obras”.
Romanos 11:6.
O
poder de reter pecados será utilizado pela Igreja em casos extremos, espírito
de zombaria e desprezo pelas coisas santas ou práticas ostensivas de
abominações. Atos 16:18;
Atos 8:18-24; Gálatas 1:8 e II Timóteo 4:14-15.
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