Lição 14
DENOMINAÇÕES
O grito
da Reforma, levantado por Lutero na Alemanha, foi o estopim duma explosão
mundial. Os movimentos foram espontâneos e independentes em toda a Europa.
Enfim, fora encontrada a solução esperada pelos inconformados com a situação de
desmandos da Igreja de Roma.
Todos
aguardavam as mudanças, o retorno aos princípios bíblicos e o fim dos excessos
e abusos que se praticavam em nome de Deus. Os líderes
reformistas esperavam a restauração completa do cristianismo com a unidade dos
grupos como num corpo.
Entretanto,
logo se convenceram da impossibilidade de união, devido a discordâncias sobre
pontos doutrinários, formas de governos, normas de comportamento, etc.
Havia
concordância nas doutrinas básicas do cristianismo e nos princípios
fundamentais que motivaram a Reforma. Todos concordavam sobre a obra salvadora
de Cristo na cruz; a justificação pela fé, o sacerdócio universal, a
ministração do batismo e ceia, mas divergiam sobre o modo de batismo; o
significado da Ceia; ligação da Igreja com o Estado, etc.
“O
homem põe e Deus dispõe” diz um provérbio popular, perfeitamente, aplicável a
esse assunto. O Espírito Santo prepara a Igreja de Cristo, dentro do propósito
Eterno de Deus, utilizando os recursos que o homem lhe oferece. O homem faz a
sua história, organizando como quer ou como consegue compreender a vontade de
Deus, mas a Igreja invisível não está limitada ao planejamento do homem.
O
Espírito Santo dirige e está pronto a trabalhar em regime de co-participação
com o homem que está capacitado, a discernir a vontade de Deus. “O vento sopra
onde quer, ouve-se a sua voz, mas não se sabe de onde vem nem para onde vai”.
Pode
haver discordância entre os filhos de Deus, aqui na terra, sempre houve e
sempre haverá divisões no meio da Igreja. Sempre serão organizados novos grupos.
Sempre haverá distorções da Palavra e, em nome de Deus, muitos absurdos serão
cometidos, sempre existirão usurpadores de um lado e servos omissos de outro,
mas nada interferirá na obra do Espírito Santo.
Deus
está agindo, através dos séculos, querendo o homem ajudar ou retardar a Sua Operação
na terra. Alguns podem até desejar impedir o crescimento da Igreja, mas nada
poderá impedir o crescimento do Corpo Vivo de Cristo.
“As portas do inferno não prevalecerão
contra ela”.
“Operando Eu, quem impedirá?”.
Logo
após a Reforma, começam, então as divisões
iniciando-se a formação das denominações chamadas históricas.
·
Luterana: A maior denominação no mundo manteve o nome
do Reformador, manteve os princípios, rituais, forma de governo preconizado por
Lutero.
·
Presbiteriana: Originada no pensamento de Zwinglio e Calvino que desejavam uma Igreja forte ligada ao
Estado. Adotaram o batismo infantil como Lutero. Forma o maior grupo nos países
de língua inglesa. 1536.
·
Congregacional: Deixam o Calvinismo estabelecendo alterações sobre a
forma de governo e batismo infantil. 1550 ou 1658.
·
Batista: Procedem dos anabatistas que eram grupos anteriores à reforma, espalhados por toda a Europa, unindo-se
na Inglaterra, aos Batistas ingleses que se iniciavam ali, junto com os congregacionais em 1660.
·
Metodista: Procede do movimento renovador liderado por
John Wesley, na Inglaterra, reunindo-se ao ar livre
ou em casas, abalando o mundo religioso da época, com suas pregações fortes
após ser excluído da Igreja Anglicana.
Quatro anos depois de sua morte, seus discípulos se
organizaram como Igreja, em 1794.
·
Exército da Salvação: Criada por William Booth em 1865, com o pensamento de que “o mal é um inimigo
que deve ser combatido como na guerra”. Usam uniformes, distintivos e postos à
maneira de um exército. São voltados para as obras sociais através das quais,
difundem o evangelho.
No
Brasil, as Igrejas evangélicas começam a ser instaladas em 1855
com o casal escocês Robert e Sarah Kalley, na Rua Camerino no Centro do Rio de Janeiro. O Templo da
Igreja Evangélica Fluminense, de governo Congregacional,
data dessa época.
Logo
depois em 1859, instala-se no Brasil a Catedral Presbiteriana, na rua Silva Jardim, 23, tombada pelo patrimônio histórico
Nacional. Missionário inglês presbiteriano: Ashbel Green Simonton.
Heresias surgidas no século XIX:
·
1831 - Adventistas: Dissidentes dos Congregacionais seguem a profecia de Ellen White sobre a
volta de Jesus.
·
1878 - Testemunhas de Jeová: Discordam dos
adventistas, seguindo interpretações distorcidas da Revelação Bíblica.
·
1930 - Mórmons: Revelação totalmente fora da Bíblia.
Seguem uma revelação de um anjo a John Smith.
CRUPOS INDEPENDENTES
·
Pietistas:
1666
a
1866.
Pregavam o retorno à prática do cristianismo, a vida
de santidade e a realização de obras de caridade (orfanatos, asilos...).
·
Puritanos: Receberam influência de Calvino. Opunham-se
ao governo episcopal, pregavam ética, moral e disciplina
rígidos.
·
Quackers: Formavam comunidades separadas da Igreja
institucionalizada, desprezavam a hierarquia eclesiástica. Valorizavam a experiência
pessoal.
·
Anabatistas: O nome anabatista significa re-batizadores e foi dado ao grupo por seus
opositores.
Possuíam o ideal de formar sociedades de cristãos
verdadeiros. Não aceitavam o batismo infantil nem o batismo por aspersão. Só
batizavam adultos por imersão. Viviam os princípios contidos no Sermão do Monte
preconizando uma Igreja pura, independente do Estado sem qualquer resquício da
velha estrutura.
Foram duramente perseguidos pelos Luteranos e pela
Igreja de Roma. Na época, foi decretado pelo governo,
que a rejeição do batismo infantil seria considerado transgressão passível de
pena de morte por afogamento como réplica ao batismo por imersão.
O grupo foi pré-reformista, espalhando-se em toda a
Europa e, mais tarde uniram-se aos Batistas que se organizaram em 1660, na
Inglaterra.
·
John Wesley: Pertencia à
liderança da Igreja Anglicana na Inglaterra, porém, era insatisfeito com o
formalismo e a frieza reinantes, buscando maior poder no Espírito. Suas
pregações, fortes e vigorosas não eram bem vistas pela Igreja tradicional
porque saiam dos ritos e da liturgia estabelecidas. Falava sobre o novo
nascimento, a santificação incentivando sempre a uma busca mais intensa de
comunhão com Deus visando o crescimento espiritual de cada um, como pessoa.
Impressionou-se com a vida de serviço que levavam os moravianos, num encontro casual, em uma viagem marítima.
Passou com eles certo período de tempo que foram decisivos em sua vida.
As Igrejas passaram a desprezá-lo e foi excluído da
Igreja a que pertencia. Passou a se reunir, com os grupos que se formavam, com
o mesmo objetivo, ao ar livre e
em casas. Mas
, apesar de toda oposição que lhe
faziam, recebeu também a adesão de muitos pastores e grupos dissidentes que
eram despertados para um novo poder na vida cristã desejando experimentar o
testemunho do Espírito Santo em sua vida interior, isto é, desejavam ter uma
experiência pessoal com Deus e não continuar mais com uma vida cristã de
aparência. O movimento cresceu e ultrapassou as fronteiras da Inglaterra. Foram
sendo organizados em sociedades e, após a morte de Wesley,
assumiram o nome de Metodista, adotando o regime episcopal de governo.
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