Lição 09
ORAÇÃO DE AUTORIDADE
(Continuação)
CONDIÇÕES PARA O FUNCIONAMENTO
DE UMA ORAÇÃO DE AUTORIDADE
I – Estar
de Acordo com a Vontade de Deus.
Deus
nunca age contra os seus propósitos. Deus nunca se contradiz.
Nossos
pensamentos, o desejo do nosso coração, precisam estar de acordo com a Palavra
de Deus.
Para
orar segundo a vontade de Deus, é preciso conhecê-la e concordar com ela.
Somente depois que estivermos convictos de que desejamos a vontade de Deus mais
do que nossa própria vontade, é que podemos orar a oração dominical, com
segurança:
“Seja feita a
Tua vontade, assim na terra
como no céu”.
Mateus 6:10.
Inicialmente
reconhecemos que a vontade de Deus é “boa, perfeita e agradável” e que a nossa
vontade natural é contra a vontade de Deus. Alcançando esse entendimento,
podemos caminhar, exercitando-nos em conhecer qual é a vontade de Deus para
nossa vida pessoal e para a vida da Igreja e da terra.
Estamos
capacitados a conhecer Seus planos para o mundo neste fim dos tempos, e saber a
nossa posição pessoal como cooperadores de Deus na execução desse Plano.
Na
carta de Paulo aos Romanos lemos:
“E não vos
conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação
do vosso
entendimento para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e
perfeita vontade de
Deus”. Romanos 12:2.
O
homem natural não conhece a vontade de Deus. E, por que não pode conhecê-la?
Porque os caminhos e os pensamentos de Deus são mais altos do que os do homem.
Aqueles
que crêem n’Ele e O seguem,
estão capacitados a conhecer a vontade de Deus. Paulo diz que nós temos a mente
de Cristo e, isto significa que Deus mesmo fez a provisão do meio, através do
qual, todos podem ter acesso aos seus pensamentos e aos seus caminhos.
A
vontade de Deus será realizada na terra através da Sua Igreja, que é a sua
legítima representante. Jesus é o Cabeça, a Igreja é o
corpo, as mãos, os braços, os pés e a boca de Deus.
A
imagem da Igreja tem sido desfigurada quando muitos fazem dela um centro de
atrações; o homem abriu mão de sua representação autorizada, e quer transformar
a Igreja numa associação de bairro ou num clube social; a Igreja passou a ser o
lugar onde vocações frustradas encontram seu público, recebem seus aplausos. Vemos
Igrejas que são domínios particulares, verdadeiras oligarquias, império de
dominadores do rebanho.
Essas
e outras são razões suficientes para que o mundo não veja a glória de Deus
através da Igreja e, despreze a “multiforme sabedoria de Deus” que deveria ser
proclamada. A glória do Senhor afastou-se de sobre o altar conforme o que foi
registrado pelo profeta Ezequiel:
“Então se
levantou a glória do Senhor de sobre o querubim
para a entrada da
casa; e encheu-se a casa duma
nuvem, e o átrio
se encheu do resplendor
da glória do
Senhor”. Ezequiel 10:4
“Então saiu a
glória do Senhor da entrada da casa,
e parou sobre
os querubins. E os querubins alçaram as suas asas,
e se elevaram
da terra aos meus olhos, quando saíram,
e as rodas os
acompanhavam; e pararam à entrada da porta
oriental da casa do
Senhor, e a glória do Deus de Israel
estava no alto,
sobre eles. Ezequiel 10:18-19.
“E a glória
do Senhor se alçou desde o meio
da cidade, e se
pôs sobre o monte que está
ao oriente da
cidade”. Ezequiel 11:23.
Orar,
segundo a vontade de Deus significa desejar, com ardor, que o Seu Reino seja
estabelecido na terra. Significa que a Igreja estará exercendo seu ministério
de serva, cooperando com Deus na execução do seu plano de Redenção.
Na
maioria das vezes, idealizamos ótimos programas e os apresentamos a Deus para
que sejam abençoados, quando deveríamos primeiro perguntar a Deus qual a Sua
vontade, e qual o Seu programa, para depois atuarmos.
Os
frutos seriam mais abundantes se trabalhássemos segundo o propósito de Deus e
não segundo o que pensamos ser melhor.
Em
meio a tanta confusão, quando tantas pessoas se auto nomeiam representantes de Deus, agindo como se fossem apóstolos e profetas, é difícil
distinguir, o que é proveniente de Deus e o que sai da mente do homem, a
verdade do engano.
A
Bíblia é clara ao mostrar a necessidade de um representante de Deus ser
reconhecido pela Igreja e condena os que se auto intitulam ministros.
“E ninguém
toma para si esta honra, senão o que é chamado
por Deus, como
Arão. Assim também Cristo não se glorificou
a si mesmo,
para se fazer sumo sacerdote...”. Hebreus 5:4-5.
“O homem não
pode receber coisa alguma,
se lhe não for
dada do céu”. João 3:27.
“Jesus
respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo,
a minha glória
não é nada; quem me glorifica
é meu Pai, o
qual dizeis que é vosso Deus. João 8:54.
Ler também II Crônicas 26:16-21.
Parece
que vivemos nos tempos profetizados por Ezequiel, sobre pastores, que se
apascentam a si mesmos, comem a gordura e se vestem da lã das ovelhas e estas
servem de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor:
“Eis que Eu,
Eu mesmo, procurarei as minhas ovelhas, e as buscarei.
Eu apascentarei as minhas ovelhas, e Eu
as farei repousar,
diz o Senhor
Jeová”. Ezequiel 34:11 e 15.
Como
reconhecer a vontade de Deus? Há muitos dizendo: “Deus me falou” quando Deus
não falou. Quantos se deixam dirigir pela mente e até por espíritos malignos!
Deste modo, usurpam a glória de Deus conduzindo multidões ao engano.
Jesus
falou:
“As minhas
ovelhas ouvem a minha voz,
e eu
conheço-as, e elas me seguem”. João 10:27.
Reconhecer
a voz de Deus é condição básica para se conhecer a Sua vontade. Tudo o que vem
de Deus está de acordo com a Sua Palavra revelada.
A
Bíblia é a Palavra de Deus, portanto, precisa haver coerência entre a palavra
dita (logos), por alguém que se apresenta como porta-voz de Deus, e a Palavra
de Deus materializada (Rhema).
Qualquer
pensamento sem apoio bíblico deve ser rejeitado; como também o profeta que
justifica o não cumprimento da sua palavra com desculpas como: “a palavra não
se cumpriu porque Deus mudou seus planos” ou “porque você não teve fé
suficiente”.
Cada
um assuma suas faltas e se aperfeiçoe, mas, por favor, não queira ser mais
sábio que Deus! Não seja presunçoso profetizando apenas para manter aparências,
fale apenas quando Deus lhe falou.
“Os espíritos dos profetas estão sujeitos
aos profetas”. I Coríntios 14:32.
Os
profetas são pessoas comuns, passíveis de erro. Se for de Deus, a palavra
profética será cumprida, no tempo de Deus.
Cada
um procure apurar seu entendimento espiritual para que não aconteça falar
quando Deus não falou ou deixar de falar quando Deus falou.
A
Bíblia é taxativa a respeito desse assunto. Aos que usurpam o nome de Deus,
enganando-se a si mesmo e ao rebanho, Deus dirá:
“Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós
que praticais a iniqüidade” Mateus 7:23.
É
duro ouvir uma palavra dessas, mas somos indesculpáveis, pois a Bíblia é
explícita e Deus nos responsabiliza e nos capacita a discernir, a reconhecer e
a cumprir a sua vontade.
“... a nossa capacidade vem de Deus”. II
Coríntios 3:5b.
“Se algum de
vós tem falta de sabedoria,
Peça-a a Deus,
que a todos dá liberalmente”. Tiago 1:5.
É
uma questão de entendimento espiritual e, assuntos espirituais, são
“discernidos espiritualmente”. Há muitos tratando displicentemente, brincando
com assuntos espirituais e substituindo o poder do Espírito pelo o poder da
mente. Afirmamos, é assunto perigoso, é assunto muito sério.
“Deus não é homem, para que minta”.
Números 23:19.
Podemos
errar muitas vezes, durante o aprendizado de ouvir a voz do Senhor, por
desconhecimento, por engano ou por sermos apressados. Mas, se ao constatarmos o
engano e nos colocarmos diante do Senhor, em contrição, com o coração aberto
para compreender e prosseguir na renovação do nosso entendimento espiritual,
seremos aperfeiçoados dia a dia, seremos transformados,
podendo receber de Deus, a capacidade de reconhecer o que é da nossa própria
mente e vontade, separando e comparando o que é, e o que não é de Deus.
“A palavra de
Deus é viva e eficaz e
mais penetrante
do que espada alguma de dois
gumes, e penetra
até à divisão da alma e do espírito,
e das juntas e
medulas, e é apta para discernir os pensamentos
e intenções do
coração. E não há criatura alguma encoberta diante
Dele antes todas as coisas estão nuas e
patentes aos
olhos daquele com
quem temos de tratar”.
Hebreus 4:12-13.
É
comum, na descoberta de um primeiro engano, ficarmos abatidos, humilhados, como
se fosse inadmissível cometermos erros. Isso acontece porque nos consideramos
infalíveis; poderosos. Por sermos “filhos de Deus” e dedicarmos nossa vida a
Ele, pensamos que já alcançamos a purificação e a
santificação.
Sim,
Jesus fez tudo isso na Cruz; essa obra é completa; no entanto, resta ao homem
apropriar-se dessas bênçãos para si próprio.
Só
Deus conhece as nossas intenções.
Só
Ele sabe o quanto precisamos de direção!
Ele
permite os nossos erros como exercício e alcance das curas.
Considerar-se
perfeito é querer ser igual ou maior do que Deus.
E,
sem querer “dar o braço a torcer” diante dos que assistiram a palavra não testificada, a pessoa se recolhe e não prossegue na busca do
conhecimento de Deus; ou continua, escondendo seus erros sempre culpando a Deus
ou responsabilizando o outro pelo não cumprimento da palavra, enveredando por
caminhos opostos aos caminhos de Deus.
Num
caso desses, a melhor atitude é assumirmos nossa fraqueza e nosso pequeno
entendimento espiritual, pois assim, tanto mais rápida será a operação, que o
Espírito Santo deseja fazer em cada um, com vistas ao aperfeiçoamento.
E,
como “o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza”, é através desse
reconhecimento, através da nossa honestidade e sinceridade é que somos
aperfeiçoados e começamos a entender os pensamentos de Deus. “Quando estou
fraco, aí é que sou forte”, dizia o apóstolo Paulo, certamente após viver
experiências dessa natureza.
Se,
um servo de Deus, resiste em admitir seus próprios erros, protegendo-se com
ameaças como: “não toqueis no ungido do Senhor” ou “minha palavra é a palavra
de Deus, portanto não pode ser julgada por você”, “se você tomar tal atitude, a
mão do Senhor pesará sobre você”, criando em torno de si mesmo um clima de
mistério e idolatria, desagradável ao Senhor, certamente a presença do Senhor
se afastará de tal pessoa.
“A minha glória a outro não darei”.
Isaías 42:8.
“Muitos de
vós não queirais ser mestres,
sabendo que
receberemos mais duro juízo”. Tiago 3:1.
Por
nos haver prevenido suficientemente é que o julgamento de Deus é tão severo e
somos considerados indesculpáveis! Deus falou:
“Não toqueis
os meus ungidos e aos
Meus profetas
não façais mal”. I Crônicas 16:22.
No
caso citado, a referência bíblica é usada distorcidamente.
Esse
assunto, tratado individualmente, é válido para a liderança de uma Igreja ou
qualquer grupo comunitário que se nomeie o Corpo de Cristo.
É o aperfeiçoamento a que são
submetidos todos os que, sinceramente, desejam ser “cooperadores” e servos de
Deus.
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