Nossa História
Nos anos 60 o contexto social foi caracterizado pelo rompimento com a hipocrisia da sociedade tradicional, em relação à aparência pessoal, aos ideais e hábitos de vida. Essa época se traduzia por um ideal de paz e amor universais, um novo estilo de pensar, de agir, e de se relacionar com as pessoas e o mundo.
O uso de drogas se inseria nessas circunstâncias com o objetivo de contestar a sociedade consumista e individualista.
Em 1970, as mortes, por overdose, de importantes representantes do acid rock abalaram a relação entre a música e as drogas. Os ídolos dessa revolução individual e cultural proclamaram “o sonho acabou”. O ideal de paz, amor, liberdade, sexo livre e drogas estavam ameaçados.
Muitos começaram a buscar por conta própria um caminho a seguir: pessoas criativas, inteligentes, sensíveis, inconformadas e que precisavam de um espaço acolhedor para expressar seus dons e talentos de forma produtiva para as suas vidas e para a sociedade. Pessoas com problemas relacionados ao uso das drogas. Pessoas que se sentiam desconfortáveis com a vida que viviam. Pessoas que estavam buscando sentido para suas vidas, marginalizadas pela sociedade e sem direção.
Em Niterói-RJ, a realidade não era diferente, o uso de drogas era intenso, principalmente entre adolescentes. O Dr. Geremias de Mattos Fontes, ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, casado, pai de 08 filhos adolescentes, que tinham muitos amigos usuários de drogas, percebe a necessidade de abrir um espaço em sua casa para acolher esses que queriam mudar e ainda sonhavam e buscavam um mundo melhor. Os adolescentes começaram a aparecer neste local onde se faziam reuniões com muita música e estudos bíblicos, lanches comunitários, jogos de vôlei, atendimentos individuais, grupos de bate-papo, tingimento de camisetas, artesanatos e etc.

Os familiares dos adolescentes e jovens também chegavam para conhecer onde seus filhos estavam. E mais e mais pessoas vinham buscar um espaço onde podiam expressar seus medos, suas desilusões, sua arte, sua sensibilidade. Os anseios desse segmento desiludido encontraram acolhida na Comunidade S8.
O movimento cresceu e em 22 de setembro de 1971, a ONG foi legalmente fundada como uma sociedade civil, sem fins lucrativos, e, mais tarde, reconhecida de Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal, presidida pelo Dr. Geremias de Mattos Fontes.
O nome “Comunidade S8” se refere ao objetivo final da instituição que é a promoção da justiça social através da inclusão - incluir e transformar. O “S” e o “8” do nome significam: “S” = salvação e “8” (formado por um “S” normal + um “S” invertido) = mudança de vida. Então Comunidade S8 = transformação de vida.
A Comunidade S8 tem como missão contribuir para a transformação de vidas, a partir de uma visão integral do ser humano, promovendo a prevenção ao uso e abuso de álcool e outras drogas, o tratamento do portador de dependência química, a reinserção social e a orientação e apoio aos familiares.
Tem como principais objetivos:
Promover a justiça social através da inclusão;
Contribuir para transformar a realidade social daqueles que estão sem alternativas;
Promover e defender os direitos da criança, adolescente, jovem, adulto e dependente químico;
Investir na formação e transformação do caráter da criança, adolescente, jovem e adulto como forma efetiva de fazer prevenção;
Lutar contra as desigualdades sociais e pelos direitos dos dependentes químicos;
Estimular na criança, adolescente, jovem e adulto a autonomia como requisito básico para aquisição e manutenção da cidadania.
Em 1972, com a doação de uma chácara em Marambaia, São Gonçalo, RJ, os adolescentes e jovens foram acolhidos e tratados em “residências terapêuticas”, denominadas "Casas S8".
Em 1982 foi fundada a Escola S8, para atender aos filhos dos dependentes químicos, com uma proposta pedagógica voltada para uma educação preventiva baseada em princípios de vida que proporcionam a construção de um caráter positivo. Hoje atende a mais de 300 alunos da comunidade local.
Em 1983 iniciamos um Centro de Internação com profissionais especializados e 15 vagas masculinas.
O trabalho foi se desenvolvendo e as atividades da instituição eram mantidas através de uma estamparia, gravação de discos e confecção de artesanatos.
Em julho de 1999, a estamparia, atingida em anos anteriores por planos econômicos malogrados, é completamente desativada, deixando a instituição sem a sua principal fonte de recursos e de reinserção social.
A manutenção da Comunidade S8, então, passa a ser viabilizada por venda de CDs e doações de pessoas físicas e jurídicas, através de telemarketing.
Atualmente a S8 busca novamente a auto-sustentabilidade, não como auto-suficiência, mas como conseqüência de comunicação e de relações sociais. Como desafio de responsabilidade, de justiça, de co-responsabilidade e autonomia.
Em 1999, a Comunidade S8 passa por muitas dificuldades, interrompe várias atividades e, se surpreende, em dezembro de 1999, com um convite feito pelo então Governador Garotinho para gerenciar a primeira clínica pública para dependentes químicos. Convite este realizado porque a ONG foi a primeira do Estado do Rio de Janeiro a receber e tratar dependentes químicos há quase 30 anos atrás e seu trabalho, que já era reconhecido pela sociedade, era agora, pelo Estado.
Inaugurada em dezembro de 1999, a Primeira Clínica Popular para Tratamento de Dependentes Químicos – Clínica Michelle de Moraes, em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro, recebe as primeiras internações em janeiro de 2000. Em quase 10 anos de existência a clínica que interna, por ano em torno de 750 pessoas, já internou quase 7000 dependentes químicos e atendeu mais de 20000 familiares.

Em 2003 a Comunidade S8 recebeu o Diploma de “Mérito pela Valorização da Vida” - concedido pela Secretaria Nacional Antidrogas – SENAD, por seu trabalho realizado em 32 anos de atividades em prol do bem social.Em 2004, iniciamos o projeto “S8 em Movimento”, com a colaboração de dedicados voluntários, muita economia e simplicidade. Através de atividades esportivas, artesanais, e culturais, buscamos transformar situações de risco em possibilidades e promover a inclusão social com uma educação conscientizadora. Beneficiamos em torno de 250 pessoas por ano.
Em 2005, o projeto "S8 em Família", constituído de encontros com familiares da Escola S8 e do Projeto “S8 em Movimento”, instala-se como um investimento no relacionamento familiar buscando a prevenção ao uso indevido de drogas. Atende cerca de 100 familiares por ano.
Em 2009, o projeto "Para Aprender Melhor", em parceria com o Instituto UNIBANCO atende mais 100 crianças da comunidade local, promovendo reforço escolar com atividades esportivas.O público-alvo da instituição são crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos – todos os que estão vulnerabilizados pela exposição e consumo de drogas na sociedade.
A Comunidade S8 tem como canais de articulação os seguintes equipamentos e sites que divulgam o trabalho realizado:
A Escola S8 que atende crianças e familiares da comunidade local;
A Clínica Michelle de Moraes, atuando no tratamento do dependente químico, na reinserção social e no apoio ao familiar;
O Instituto UNIBANCO, em convênio com a S8 promovendo reforço escolar;
O site da Comunidade S8 que divulga e informa conhecimentos sobre a dependência química;
O site do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro;
O site AJUDABRASIL;
O site da SENAD;
O site SELO ESCOLA SOLIDÁRIA;
O site da AMASG.
O site da AVEC.
A Administração da Comunidade S8 tem ênfase na gestão de pessoas, com uma liderança participativa voltada para o meio ambiente, a organização, o grupo social e o indivíduo. Com este propósito é possível realizar diagnósticos, intervir em variáveis estruturais, comportamentais e atingir objetivos organizacionais e individuais.